
Mercado precifica resiliência do varejo brasileiro e menor espaço para cortes de juros nos EUA
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a quinta-feira em leve alta, refletindo um conjunto de sinais que reforçam a narrativa de juros elevados por mais tempo, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo Fabricio de Castro, da Reuters, o movimento foi sustentado principalmente por dados do varejo brasileiro acima das expectativas e por números mais fortes do mercado de trabalho norte-americano, que impulsionaram os rendimentos dos Treasuries e pressionaram a curva local.
🔎 O que aconteceu no mercado brasileiro
De acordo com o IBGE, as vendas no varejo cresceram 1,0% em novembro ante outubro e 1,3% na comparação anual, superando com folga as projeções do mercado. Esses números reforçaram a leitura de uma economia ainda aquecida, reduzindo apostas em cortes agressivos da Selic no curto prazo.
Nesse contexto:
- O DI jan/2028 fechou a 13,075%, alta de 3 pontos-base
- O DI jan/2035 encerrou a 13,58%, com avanço de 2 pontos-base
Durante o pregão, as taxas chegaram a renovar máximas, refletindo ajuste fino de posições e busca por proteção.
🏛️ Banco Central no radar, mas sem impacto direto
Antes da abertura do mercado, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM, gestora ligada às fraudes do Banco Master. Conforme destacado por profissionais ouvidos pela Reuters, apesar de permanecer no radar, o episódio não teve impacto relevante na precificação dos ativos.
🇺🇸 EUA: menos desemprego, mais pressão nos juros
No exterior, os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos surpreenderam para baixo, caindo para 198 mil, bem abaixo das expectativas. Segundo dados do Departamento do Trabalho norte-americano, isso reduziu as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
Como reflexo:
- O Treasury de 2 anos subiu para 3,562%
- O Treasury de 10 anos avançou para 4,156%
💼 Leilão do Tesouro e hedge na curva de juros
Outro fator citado por operadores, de acordo com a Reuters, foi o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que aumentou a demanda por hedge no mercado de DIs — movimento típico em dias de maior oferta de papéis públicos.
🌍 Geopolítica adiciona ruído ao cenário
No pano de fundo, investidores também monitoraram as tensões geopolíticas globais. Em entrevista exclusiva à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou não ter planos de remover o chair do Fed, Jerome Powell, apesar de investigações em curso, ao mesmo tempo em que elevou o tom em relação à Ucrânia e ao Irã.
🧠 Leitura SOP
O sinal é claro: o mercado segue sensível a qualquer dado que indique resiliência econômica. Enquanto inflação e atividade não cedem de forma consistente, a curva de juros continua ajustando prêmios — não por pânico, mas por realismo macroeconômico.
📌 Em 2026, não é o ruído político que move o mercado, mas dados, fluxo e disciplina monetária.